Sobre as pedras tumulares existentes no Cemitério de Loriga e que a Junta de Freguesia num belo gesto, tomara a seu cargo a conservação perpétua, verificámos que foram colocadas no dia 17 de junho de 1951, com a presença de uma multidão de loriguenses – as fábricas, as oficinas e o comércio da vila encerraram – estando presentes o Presidente e os vogais da Junta de Freguesia de Loriga, o Regedor, Professores, representantes das organismos sociais, a banda da Sociedade Recreativa e Musical Loriguense, o Grupo Desportivo Loriguense, a Sociedade e Defesa de Propaganda de Loriga.
Depois de prestarem as honras aos srs. Cônsul-geral e vice-cônsul ingleses, adido naval junto da Embaixada de Inglaterra e srs. Campbel, também da Embaixada britânica; Marie, representante da União Sul Africana; padre Johnston, capelão da comunidade britânica no Porto; Robutson, Janings, Vigne e Reid, todos representantes da RAF; Grahan e esposa; Nekenzie, Cassels e vários membros da colónia inglesa no Porto, seguiram em cortejo da avenida Augusto Luiz Mendes até ao Cemitério.
As pedras tumulares dos seis malogrados militares, quatro sul africanos e dois ingleses.
Mas os parcos recursos da Junta de Freguesia de Loriga têm-se revelado insuficientes e, as várias solicitações feitas junto das Embaixadas, resultaram em contributos vários. Porque esta narrativa é coincidente com a análise que temos vindo a realizar das atas[1] dos Executivos da Junta de Freguesia de Loriga, vamos aqui transcrever algumas decisões, tomadas:
– Em 5/12/1961 a Junta de Freguesia recebeu um ofício do consulado Britânico onde referia que a partir desta data atribuía ao guarda do Cemitério a quantia de 150$00 para zelar pelas sepulturas dos seis aviadores;
– Em 2/09/1963 recebeu um ofício do cônsul Geral da Inglaterra para que, a suas expensas, se mandasse pintar a cor preta as grades que vedam os mausoléus existentes nesta freguesia dos seis malogrados aviadores daquela nacionalidade caídos no desastre de avião na parte superior da Serra da Estrela, limite desta freguesia. Igualmente foi muito apreciada a boa impressão que do nosso Cemitério levou, aquela autoridade aquando da sua visita durante o mês de agosto findo (1963);
– Em 2/08/1972 foram partidas no Cemitério, por uma doente mental, três pedras tumulares dos aviadores ali sepultados, deitando-as do muro abaixo e partindo-as. Pelo facto, foi pedido ao ex.mo senhor Cônsul-Geral de Sua Majestade Britânica do Porto para mandar fazer outras iguais ou informar-nos como e onde foram esculpidas, afim de, por conta desta Junta serem repostas nos seus devidos lugares, tendo prometido evitar tal facto futuramente;
– Em 2/11/1972 foi pedido pela embaixada Britânica de Lisboa os elementos das pedras tumulares que não foram destruídos.
– Em 3/01/1973 foram enviadas para o Cônsul Geral de Sua Majestade Britânica fotos e um desenho com as medidas das campas. A resposta foi a de manifestarem vontade de visitar e falar sobre o futuro;
– Em 2/03/1973 foi recebida uma carta do Cônsul Geral de Sua Majestade Britânica a participar da sua vontade de deslocar-se a Loriga no dia 14/3 a fim de trocar impressões acerca da substituição das pedras tumulares das campas, as quais têm de vir da Grã-Bretanha;
– Em 3/04/1974 foi recebido do Cônsul Geral de Sua Majestade Britânica, datado de 18/01, a informar de que as três pedras tumulares destruídas seriam remetidas a esta autarquia, afim de serem colocadas nos seus devidos lugares, como estava no envio do diagrama de disposição entretanto enviado. Em 21/3 a Junta respondeu que as pedras tumulares já estavam colocadas enviando duas fotos onde já estavam as seis sepulturas;
– Em 5/03/1975 foi recebida uma carta do Cônsul Geral de Sua Majestade Britânica a procurar saber sobre a manutenção e conservação das sepulturas no Cemitério;
– Em 4/06/1975 a Junta disse que no dia 22/5/1975 se tinha deslocado a Loriga o Cônsul Geral de Sua Majestade Britânica acompanhado de sua esposa indo visitar o Cemitério;
– Em 3/03/1976 foi pedido pelo Cônsul Geral de Sua Majestade Britânica informações sobre as sepulturas;
– Em 6/04/1978 foi recebida uma carta da Embaixada Britânica a pedir informações sobre o estado das sepulturas;
– Em 5/04/1979 recebeu da Embaixada Britânica um ofício a informar da visita do Diretor da Comissão das Sepulturas das Forças Armadas Britânicas ao Cemitério no dia 11/05/1979;
– Em 31/01/1994 a JFL remeteu ao Consulado Britânico em Lisboa um ofício no sentido de ser atribuída à Freguesia para manutenção dos túmulos dos cidadãos britânicos sepultados no Cemitério de Loriga;
– Em 30/06/1994 a JFL enviou agradecimento ao Cônsul Britânico em Lisboa pelo seu ofício datado de 12/04/1994, onde referia a atribuição dum subsídio anual de £75 (cerca de 19.350$00 e, relativos ao ano de 1994).
Bibliografia
- Testemunhos de
- António Gomes Costa
- José Moura Pina
- Mário Alves dos Santos
- Mário Lemos Conde
- António Matias Ribeiro
- Entrevistas de Augusto Pinto Aparício e José de Pina Gonçalves ao Diário das Beiras – Jornal
- Maria Adélia Lopes Prata – Versos da Marcha de Loriga do ano de 2012
- António Dias – A queda da águia – Tipografia Montes Hermínios – 1952
- RTP Vídeo a “Queda de um avião em Loriga na Serra da Estrela”
- Tiago Lucas
- José Manuel Almeida Pinto (Presidente da JFL)
- José Fernandes Pina
- Tó Amaro
- Adelino Pina e http://loriga.de/
- http://www.gentesdeloriga.pt/poesia:69 na Enciclopédia Gentes de Loriga
- https://camarinhascoperacion.blogs.sapo.pt/7078.html
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