Não obstante o caráter trágico do acontecimento, as Gentes de Loriga foram, desde os primeiros momentos, impelidas voluntariamente a realizar manifestações de homenagem às vítimas, quer sob a forma religiosa, quer sob a forma lúdica. Ainda hoje os loriguenses, sentem com muito pesar e dor esta efeméride, como se ela tivesse acontecido há pouco tempo. A dor profunda e um sentimento de repulsa ainda continua ativo e, na tentativa de contrariar tal desiderato evasivo, as homenagens sentidas e sinceras tem-se revestido, ora através de versos… ora através de outras atitudes.
Os aviadores mortos na serra no dia 22-02-1944, fazem parte do imaginário loriguense, não havendo hoje nenhum que não conheça sumariamente a história da Queda do Avião. Através desta narrativa histórica, pretendemos com muito simbolismo e, quiçá, com muita modéstia, expressar o nosso ensejo… reavaliando-o e reavivando-o.
Como já afirmámos, os loriguenses, que nunca conheceram as vítimas, continuam a demonstrar a sua ternura e o seu apego e, no dia de 1 de novembro – dia de Todos os Santos – “rendem-lhes” o seu sentimento profundo.
São inúmeras e variadas as formas de imortalização realizadas por loriguenses desde os primeiros momentos. Vamos enumerar as mais significativas: em abril de 1944 foi a D. Filomena Nunes de Brito, que fez uns versos, seguida por dois outros, quase de imediato, Abílio Macedo Pina e António da Costa Madeira.
Vamos ver…
Versos de Filomena Nunes de Brito – abril de 1944

Versos de Abílio Macedo Pina (I e II) e António da Costa Madeira – 1944


Entretanto em junho de 2012, o tema das Marchas de Loriga foi o Minério, de autoria de Maria Adélia Lopes Prata, uma temática coeva do acontecimento de 22-02-1944 e, também uma memória inesquecível do povo de Loriga. No verso VI, constatamos a alusão aos militares mortos.
Os seus versos e alguns registos do evento:
Versos de Maria Adélia Lopes Prata – Marchas de Loriga no ano 2012
Tema: O Minério (No verso VI faz alusão ao avião)


Também no local onde o avião se despenhou tem acontecido algumas manifestações. Romagens, a colocação de uma CRUZ a sinalizar o lugar e rituais litúrgicos, são estas as manifestações mais comuns, aliadas à dor, sofrimento e à pena profunda…
Em 23-02-2014 a Irmandade das Almas de Loriga mandou celebrar uma missa por alma dos militares ao Pe. João Barroso e nada levou!… No dia 1 de maio de 2014, a Irmandade e a Junta de Freguesia de Loriga, homenagearam os mortos com uma caminhada até ao local do acidente onde depois colocaram uma cruz no sítio do embate e, o pároco de Loriga Pe. João Barroso, celebrou uma missa…
Para que este sentimento continue enraizado em todos nós e possa constituir mais um local de memória e historicidade, um grupo de loriguenses liderados por António Marques Garcia, José Manuel Santos com o apoio da JFL, concorreram no âmbito do 4.º Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Seia – 2019/2020 – com o projeto “ROTA de HOMENAGEM aos PILOTOS da RAF”.
Em resumo, o projeto é o seguinte:
“Foi no dia 22 de fevereiro de 1944, em plena II Guerra Mundial, que o avião inglês Hudson EW 906 da Royal Air Force (RAF) se despenhou na Penha do Gato, na nossa Vila de Loriga. Desde então que o local da “queda do avião” se tornou um espaço de “culto” para os loriguenses e ultimamente, também para muitos turistas que nos visitam. O local da “queda do avião” como é assim conhecido, situa-se muito próximo de uma das rotas pedestres mais procuradas na vila de Loriga, do concelho de Seia e de todo o Parque Natural da Serra da Estrela: a rota da Garganta de Loriga.
Neste sentido e no âmbito do Orçamento Participativo de Seia 2019, promovido pelo Município de Seia, pretende-se efetuar uma proposta que prevê a criação de uma derivação pedestre da rota da Garganta de Loriga para o local da “queda do avião”, Com a execução deste novo traçado queremos homenagear os pilotos da RAF e reforçar a importância da rota da Garganta de Loriga como vital infraestrutura turística para o desenvolvimento da vila de Loriga, do concelho de Seia e do Parque Natural da Serra da Estrela, bem como contribuir para a divulgação e valorização dos recursos naturais e culturais deste território”.
Esse projeto seria um dos vencedores, sendo-lhe atribuída a verba de 12.500€ com IVA.